6/05/2011

Amarras




Mais do que qualquer pessoa,
Opõe-se contra nós esta pedra.
Rasga-te em amor e ética.
Arma-te com indiferença e tempo.
Larga-me em intermináveis lamentos.

Teice

6/03/2011

Reflexo




Nos livros que dou de presente
Nos debates que promovo
Nos momentos em que estou ausente
Das idéias das quais discordo

Reflito.
Teu reflexo vem em mente
Arrepio!
Se ficares indiferente, é porque mentes.

Teice

Imagem retirada da internet (cena do filme Frida)

6/02/2011

Ao meu



Despindo alfarrábios teus,
Arrancando o sorriso neutro
Com um diálogo entre tu e eu,
Pretendo pintar nosso adeus.

Adeus que nunca virá. Jamais!
No máximo um “breve-longo” até mais.
Lá onde uma eterna memória se esconde.
Lá onde transcenderemos. Horizonte.


Teice


Quarta-feira




Só viver já não satisfaz
Ir ou não ir, não importa mais?
Como descarregar o peso que trago nas costas?
Peso este, que tu em mim aumentas.

A força torna-se escassa
A raiva transborda
E mesmo assim,
Nada faço.

Ir ou não ir já não importa mais.
A indiferença cravou seu punhal
E a cada dia, crava-o ainda mais fundo
Aqui tu já não mais estás.

Afastaste-te
Do que te fez sentir vivo
Afastaste-te
Do que tiveste ou não comigo

Por quê? Não sei
Não saberei.
Sei é que partirei em breve.
Transcenderei.

Teice


6/01/2011

A carta de Telma


Abelardo,

O dia da partida se aproxima!

Nunca temi a chegada deste dia, mas confesso que sinto a tristeza me rondar, quando penso nele.


Como nos vimos tão pouco nestes últimos dias, decidi lhe escrever. Anseio por notícias tuas. Fiquei sabendo que estás passando por dias difíceis em teu novo emprego. Posso imaginar. Aquele não é teu mundo. Mas este não é o único motivo pelo qual lhe escrevo. Escrevo a ti, porque quero que saibas o que sinto e o que penso, sobre você, sobre nós.


Tempos atrás pensei em te pedir para ser meu filósofo pessoal, meu conselheiro. Mas, pensei melhor e vi que esta não seria uma boa idéia, já que a dúvida me cutucava. A dúvida por não saber quem realmente tu és. Tenho medo desse seu otimismo exagerado. Medo de que por trás desse teu sorriso, hora sincero, outra somente simpático e educado, se esconda uma mentira, se esconda um exacerbado ceticismo. Imagine! Eu desejando batalhar para descobrir partes de mim ainda não localizadas, desejando me agarrar em algo, e tu desacreditando todas minhas crenças. Não que isto seja ruim, algumas crenças devem realmente ser desmascaradas. Mas, como uma adoradora da metafísica, tal idéia não funcionaria.


Quando leres isto, deves indagar: “Como tu podes pensar isto de mim?”. Mas, a verdade é que tu não te mostras pra mim. Por quê? Do que tens medo? Descobri que nada sei de humano em ti. O que fazes em horas vagas? Qual cor tu gostas mais? Qual comida preferes? Só sei acerca de nossos ideais compartilhados. Ou seja, este tempo todo, conheci idéias e não a pessoa em si. Tu já percebeste que no mundo, as pessoas se tornam menos atraentes quando demonstram aos outros suas fraquezas. Mas, eu não penso assim. Mostrar tuas fraquezas a mim, será o jeito de mostrar-te humano. Eu desejo enchergar-te humano! Quando viu minhas fraquezas, tornei-me para ti menos atraente?


Outro aspecto que me deixa frustrada é a tua traição a teus ideais. Lembras quando me dizias para me libertar das amarras da sociedade? Amarras, todos possuímos. Tu possuis a amarra moral. Traição, palavra presente em quase toda história. Mas tu? Tu não trais, a não ser teus ideais de libertação. Desculpe-me o cinismo, mas isto me enraivesse. O amor, como acreditamos, não possui cor, nem forma, e como em nosso caso, o amor não possui quantidade. Então não entendo como podes te agarrar tanto assim à moralidade. Se não, por que deixas a moral tomar parte grande de tua vida? Explicas-me? Acho que tens medo de que eu possa te dominar. Tens medo da dominação? E não o temos todos nós? Mas, não. Não quero dominar-te. Quero compartilhar.


O dia da partida se aproxima. Enquanto este não chega, me divirto para afastar pensamentos ruins. Lembras-te de Bruna? No sábado sairei com ela. Sei que tu não vetas este meu lado. Gosto de humanos, gosto gente. E como ela tem sido paciente comigo! Sempre do meu lado, me ouvindo falar de ti. Lendo os poemas que fiz para ti. E os mandando para aquele clube de poetas. Se não fosse por ela, talvez eu não teria sido aceita naquele clube de Lisboa. Quanto tempo não visito Portugal? Espero te ver antes de minha partida.


Mas peço encarecidamente que não te zangues comigo. Tudo o que anseio é por um sinal. Desejo-te com todas minhas forças. Não tenhas medo de mostrar-te humano!


Espero uma resposta tua. Embora não tenha respondido minhas últimas cartas. Confesso que me senti deixada de lado, com esse teu descaso. Mas, é melhor o silêncio de que uma má resposta. É como usar facas para ferir. Se o outro te dá uma má resposta, é como uma facada, ele não sente dor, ataca de qualquer jeito, qualquer intensidade. Já com o silêncio é diferente. Tu és quem maneja a faca. Tu podes escolher se queres ou não se cortar, e se mesmo assim escolher o pior, ainda tens o direito de escolher a intensidade do corte, da dor.


O dia da partida se aproxima e ainda não sei como me portar diante da tua ausência.


Amorosamente,

Telma.

30 de maio, 1920




5/29/2011

I S@rau Literário via Twitter

Amei a idéia! Quero ver todos meus amigos escritores participando!


Algumas sugestões para quem for participar, não há regras, porque o Twitter é democrático demais para isso (texto de Renan):

  • Não publique textos de terceiros: nós queremos ler sua obra, não do Caio Fernando Abreu ou do Millôr (a menos que este participe também).
  • Não divulgue blogs, sites, ou similares. Entenda isso como uma conversa durante uma declamação: não é o momento adequado para isso.
  • Não publique outra coisa que não sejam textos literários, RTs e comentários durante essas duas horas: já que você vai no sarau, está lá, acredito que os outros assuntos possam ser adiados.
  • E por favor, divulgue e participe, o cartaz acima pode ser publicado em qualquer blog, é só copiar a imagem. O s@rau não é meu, nem do Renan, nem da Giselle, é nosso.
  • Não se esqueça da data, horário e o principal a hashtag: #sarauletras365
Dúvidas, críticas ou sugestões:
rop.renan@hotmail.com ou @renanrop
dani.s.freitas@gmail.com ou @Daniele_SF
gisellezamboni@uol.com.br ou @gisellezamboni


5/28/2011

Mel

Hoje é meu aniversário. Mas estou aqui para parabenizar uma outra pessoa. Mas, parabenizar não por mais um ano adquirido, e sim pela ótima escrita e inspiração. É a minha amiga virtual Melina, do blog http://souriresetlarmes.blog.fr/. Com a permissão dela posto aqui para vocês um pedaço de pensamento dela. Visitem o blog! Não irão se arrepender.



Girando, teus olhos quero
"em meus poemas teus"
nem que tenha que grafitar
minha poesia no teu muro.

Melina Coury

Escrito em março, 2010